Testemunho – Isabel Évora – MAV – Malformação Arteriovenosa

MAV – Malformação Arteriovenosa

Isabel Évora

Chamo-me Isabel Évora, tenho 48 anos e foi-me diagnosticada, em 2009, uma MAV – malformação arteriovenosa. 

A descoberta do problema aconteceu por acaso. Numa consulta de neurocirurgia, por queixas de dores na cabeça e coluna cervical, foi prescrita uma ressonância magnética, para avaliação.

Diagnóstico: uma hérnia discal e a referida MAV. Para clarificar o resultado, acabei por fazer, também, uma angiografia. Infelizmente confirmou-se o diagnóstico e a solução apresentada pelo médico foi a cirurgia. Não aceitei, claro! De exames na mão decidi consultar outros clínicos da especialidade, cujas opiniões foram num sentido contrário, ou seja, a cirurgia só como último recurso. Apresentaram-me, então, outras alternativas que poderiam passar, por exemplo, por um tratamento por embolização ou radiocirurgia. Nesta perspetiva optei, primeiro, por consultar um neurorradiologista que, desde logo, se interessou pelo meu caso.

Uma semana depois, fui chamada para uma angiografia de intervenção, no hospital de São José. Tudo estava a correr pelo melhor até chegar a péssima notícia de que seria impossível efetuar o tratamento por embolização porque corria demasiados riscos. Foi um balde de água fria! Porém, restava, ainda, a radiocirurgia. Por sorte, e de imediato, fui reencaminhada para o Centro Gamma Knife,  no Hospital Cuf Infanto Santo. Neste Centro, logo na primeira consulta destacou-se a simpatia e profissionalismo, tanto a nível clinico, como administrativo.

A médica, Dra. Mª Begonã Cattoni, teve o cuidado de me explicar, cuidadosamente, os procedimentos para realização da radiocirurgia. No dia 19/11/2009, de manhã, começaram os preparativos para a intervenção. Depois de uma anestesia local, fixaram-me o quadro estereotáxico no crânio . O aspeto era estranho, parecia que tinha saído de uma cena de um filme de ficção científica! Confesso que até pedi ao meu marido para tirar fotos, para mais tarde recordar. Seguiram-se uma ressonância magnética e uma angiografia digital. Concluído o planeamento do tratamento, pela equipa médica fui, então, conduzida para a sala onde se encontrava o aparelho Gamma Knife Perfexion.

Deitada, ouvindo música, adormeci. Não sei ao certo quanto tempo durou. Não senti qualquer dor. Acordei, retiraram-me o quadro que me haviam colocado na cabeça e segui para o quarto, muito tranquila. Tinha corrido tudo bem. No dia seguinte, de manhã, tive alta e, posso dizer, estava pronta para ir trabalhar. Contudo, por prudência, não o fiz. Permaneci duas semanas em casa, mas sem quaisquer sintomas ou efeitos secundários. Após uma semana, fui contactada para marcação de uma consulta. No final de 2012, fiz nova angiografia que, felizmente, veio confirmar que a MAV estava tratada.

Conclusão. O problema foi ultrapassado. Contudo, por rotina, continuo a ser acompanhada pelo Centro. Posso considerar que o meu caso foi um sucesso.

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